mais uma lembrança para a biblioteca
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Os bastidores da vitória de Alexandre Kalil de A a Z

Já estava com saudades de escrever para o blog. Comecei a digitar esse texto pela manhã desse domingo, 30 de outubro de 2016, logo após cumprir meu dever cívico-eleitoral. Digitei 31 na urna e confirmei. Eu e outros 628.049 belo-horizontinos fizemos isso. Alexandre Kalil foi eleito prefeito de Belo Horizonte por 52,98% dos votos válidos. Confesso: faltou tempo durante os últimos meses. Amanhã, as bancas de jornal trarão nas capas o rosto do vitorioso. Tenho certeza que muita gente deve estar curiosa. Afinal de contas, como essa história começou? Ainda, por qual razão eu tomei essa posição? É o que pretendo contar por vários motivos. Antes da campanha e da pré-campanha propriamente ditas, acho fundamental mostrar as raízes para que os galhos desse enredo façam mais sentido…

A história vai ser generosa comigo. Pretendo escrevê-la.
Winston Churchill

ASim, eu fui tucano. Em 2005, recém formado no Colégio Militar, decidi que eu seria um político. Aliás, eu já era um… Não para me servir da política, mas para servi-la. É complexo para alguém que toma essa decisão saber por onde começar (e por isso, criarei em 2017 uma escola para políticos). Disseram-me que era preciso se filiar a um partido. Escolhi o PSDB. E por lá comecei a fazer o que eu considerava que poderia ser frutífero para a sociedade. Em 2008, cursando duas graduações, direito e comunicação, eu trabalhava na empresa de Flamínio Fantini, um jornalista brilhante que me ensinou muito. Naquela época, prestei serviços para a campanha de Marcio Lacerda. Já são oito anos de lá para cá. Ao fim daquela eleição, por reconhecimento de méritos, fui apresentando simultaneamente a duas pessoas que desempenharam papéis muito importantes na minha vida: Alexandre Kalil e Andrea Neves. Quem me apresentou a ele foi Adriana Branco, que também tinha participado da campanha eleitoral. O recém eleito Presidente do Clube Atlético Mineiro buscava uma equipe para cuidar da área de comunicação do time alvinegro. Quem me apresentou a ela foi Valéria Cordeiro, assessora especial do então Governador Aécio Neves. Nunca tinha visto a tão comentada irmã, mas a fama dela a precedia. Eu me lembro até hoje porque anotei nos meus guardados as frases ditas pelos dois no primeiro encontro, no Galo e no SERVAS. “Você é atleticano?” – disse ele. “Espero que você seja mesmo tão inteligente quando dizem.” – disse ela.

BNos anos que se seguiram, tornei-me um amigo de ambos. E assim me considero até hoje. Fui ousado ao sugerir numa sala repleta de diretores que o nosso mandatário criasse um Twitter e falasse diretamente com a torcida. Essa era uma estratégia poderosa. Tentei ser criativo ao colocar na cabeça um chapéu e ajudar genuinamente um projeto político do qual fui entusiasta. Essa era uma estratégia eficiente. Precisaria de muitos textos para explicar o quanto aprendi com os dois. Sou um observador como todo bom mineiro. Ao me tornar subsecretário de Estado em 2011, tomei a decisão de paralisar a minha empresa e fui até Alexandre Kalil para dizer que precisaria encerrar o contrato. Ele aceitou, ligou para Adriana Branco e nomeou-me Assessor da Presidência. Era um título simbólico, já que não estaria trabalhando mais de forma remunerada para o clube. Todavia, presenciei de perto títulos muito mais do que importantes. Aliás, foi quando eu deixei de ser um prestador de serviços para me tornar parte de uma diretoria apaixonada que eu trabalhei ainda mais pelo Galo. Ao mesmo tempo, ao lado de Andrea Neves, vencia eleição após eleição, tendo eleito em 2010, Antonio Anastasia, Aécio Neves e Itamar Franco, além de reeleger Marcio Lacerda em 2012.

CMesmo sendo muito próximo de ambos, nunca perdi o que se chama personalidade. Chamem de arrogância, chamem de petulância, chamem como quiser… Eu tenho minhas ideias e meus princípios. E isso sempre me norteou. Em 20 de maio de 2013, cansado de algumas coisas que via no PSDB, sobretudo a convivência desagradável com uma figura nefasta chamada Narcio Rodrigues (e seus bajuladores), vi que não estava no meu lugar. Para ser preciso, ele tentou de todas as formas utilizar a Subsecretaria de Estado, pela qual era responsável, para aparelhar a máquina pública em benefício do próprio filho e da juventude do PSDB. Avisei o Governador Antonio Anastasia, coloquei meu cargo à disposição e desfilei-me do PSDB, onde estava desde 2005. Curiosamente, o Governador me manteve no cargo. Mais uma prova do caráter inigualável dele. Iniciei meu mestrado e decidi que seria professor. Sendo muito sincero, achei que terminaria minha breve carreira política naquele momento. Aliás, para quem ficar curioso com esse trecho, recomendo a leitura do texto nesse link onde explico em detalhes a minha entrada e a minha saída do PSDB, além de destacar que nosso sistema partidário faliu completamente.

D – Em 2014, inventaram Pimenta da Veiga. Inventaram não! Aécio Neves inventou. Eu defendia, como tantos outros, que o candidato fosse o Deputado Federal Marcus Pestana, um político muito qualificado. Todavia, o veto conjunto de Alberto Pinto Coelho, Vice-Governador, Dinis Pinheiro, Presidente da Assembleia Legislativa, e Narcio Rodrigues (ele de novo), Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, retiraram o melhor candidato do pleito. Aécio Neves, diante disso e diante da vontade de eleger alguém cujo governo pudesse ser controlado, fez a pior escolha da vida dele. Não sem os meus protestos. Comparo Pimenta da Veiga a invasão da Rússia no inverno. Por Napoleão. Por Hitler. Eu tenho certeza que o arrependimento por essa decisão corrói a alegria de quem a tomou até hoje. Eu avisei. Como eu já não vazia parte do partido, resolvi que não me envolveria na campanha. Ainda assim, após a tragédia que envolveu Eduardo Campos, fui chamado às pressas por Andrea Neves para ajudar faltando três semanas. Minha sinceridade foi costumeira: não havia mais nada a se fazer na reta final da candidatura de Pimenta da Veiga. Opinei que todos os esforços deveriam ser concentrados na eleição de Aécio Neves para a Presidência da República. Um recuo nacional das tropas para Minas Gerais não seria uma decisão sábia. Achava que se isso fosse feito, ele poderia vencer. Não me escutaram. A derrota de Pimenta da Veiga aconteceu. E a derrota de Aécio Neves também aconteceu. Eu fiquei muito triste por Aécio Neves por que tenho certeza que ele seria um presidente muito melhor que sua oponente. Não que se tratasse de desafio tão complexo ser melhor do que Dilma Rousseff. Um dia após o resultado, encontrei-me com Andrea Neves na casa de uma grande amiga em comum, Ana Campos, e disse a ela que dentro de dois anos eu seria candidato a vereador. Mais do que isso: disse que me empenharia a eleger o prefeito. Acrescentei: desde que eu escolhesse meu candidato. O trauma da candidatura de Pimenta da Veiga ao governo foi algo difícil de superar. Passamos quatro anos nos dedicando à gestão de Minas Gerais para entregar de bandeja todo um esforço para um grande incompetente chamado Fernando Pimentel. Do PT! A minha meta a partir de então? Começar a reerguer um cenário político que iria se espatifar. Ambicioso da minha parte? Evidente que sim.

E – Os dois anos de 2014 até 2016 não passaram rápido… Foram muitas aulas dadas e muitas noites na biblioteca planejando, traçando e calculando. Escrevi duas vezes sobre a disputa em Belo Horizonte. Em 25 de junho de 2015, dava uma pista chamando Alexandre Kalil do “coringa” da eleição.

Quem em sã consciência abandona uma campanha para deputado federal tendo a chance de ser eleito um dos mais bem votados parlamentares de Minas Gerais? Oras, quem pode. Trata-se da mesma pessoa que por seis anos foi titular do segundo cargo mais importante do Estado, como ele próprio gosta de dizer. Alexandre Kalil é polêmico, tem voto, fala diretamente com as pessoas e pode entrar nessa eleição para mexer com o jogo. Seria candidato mesmo? Não sei. Sei que se tomar essa decisão, numa eleição cujos nomes são pouco conhecidos e não empolgam os eleitores, ele pode fazer diferença na estratégia de todos os candidatos. Presidir o Clube Atlético Mineiro (Galo!) por seis anos, colecionando títulos importantes para a torcida, deu a visibilidade suficiente que esse político precisava. Se a eleição de 2016 fosse um baralho de cartas, Alexandre Kalil certamente seria o coringa. Com todas as peculiaridades que o personagem encerra. Aos eleitores, candidatos e partidos, só tenho uma coisa a dizer: não subestimem-o.

Em 17 de fevereiro de 2016, dava mais uma pista… Decidido em ser vereador, e agarrado à minha tese de independência, encontrei no PHS uma oportunidade que poderia ser replicada ao meu candidato a prefeito. Um outro amigo insistia que ele deveria se filiar ao PPS… Bobagem, eu falava. Esse partido certamente estaria aliado ao PSDB e não teria candidato.

Falei de cartas e não mencionei o coringa! Já havia o citado no último texto. Alexandre Kalil está com sua carta de filiação partidária pronta. Ele embola o jogo? Embola demais. Vou repetir: estamos falando de uma campanha curta e com poucos nomes conhecidos. Em trinta dias de televisão, considerando o desgaste da classe política e a vontade por novidades que o eleitor tem, a mistura promete. Nos próximos dias, seu partido será revelado. E, independente da legenda, ele segue independente…

E foi quando eu sentei pela primeira vez para falar com Alexandre Kalil a respeito de forma enfática, dado que foram muitas e muitas prosas em tom de brincadeira anteriormente.

F – Antes estive em Brasília… No plenário do Senado Federal, informei os senadores Aécio Neves e Antonio Anastasia que seria candidato a vereador. Ambos exclamaram felizes. Desconfio que um votou em mim. Só um. Aécio Neves: “Vai voltar ao PSDB?” Disse que não iria nem amarrado, apesar de todo respeito e consideração aos dois. Primeiro, eu não queria mesmo. Segundo, não acreditava que minha votação seria suficiente para me eleger na legenda. Ele insistiu: “Com essa cara de tucano?” Quem vê cara, não vê coração… Não. Fui firme. Ele então me desejou boa sorte na escolha partidária. Disse que já tinha escolhido o PHS e citei a carta de independência firmada com a legenda. Com o devido aviso a ambos, me sentia completamente livre e à vontade para seguir em frente com a consciência tranquila de quem não é desrespeitoso com dois amigos que sempre mantiveram relação cordial e política de alto nível. Acrescentei aos dois: “E queria o apoio de vocês para lançar Alexandre Kalil prefeito.” Sorriram e desconversaram…

Com Aécio Neves e Antonio Anastasia no plenário do Senado Federal onde os comuniquei que seria andidato pelo PHS e sugeri o nome de Alexandre Kalil para prefeito
Com Aécio Neves e Antonio Anastasia no plenário do Senado Federal onde os comuniquei que seria candidato pelo PHS e sugeri o nome de Alexandre Kalil para prefeito

G – Volto ao almoço com Alexandre Kalil. Durou uma longa tarde… Eu fui muito sincero. Disse a ele o quanto eu estava cansado do cenário político que se desenhava, supunha que Aécio Neves e Marcio Lacerda romperiam e que tal situação possibilitaria uma difícil, contudo rara, oportunidade de mudança do status quo. Sonhamos juntos, com a ajuda de alguns vinhos, uma Belo Horizonte diferente. Uma cidade mais moderna, menos dos partidos e mais das pessoas, das metas, dos resultados e dos projetos. Havia ali uma parceria. Ele próprio não acreditava muito nessa história, mas no fundo, aquele turco já sabia que havia mesmo uma possibilidade desse “menino” ter um pouco de razão. E ele foi fermentando a ideia… Eu tinha visto bem de perto a gestão dele no Galo. Observei uma capacidade muito rara de liderar, organizar e ir em frente mesmo diante das adversidades. E ele, assim como eu, por muitas vezes abriu mão da vida pessoal para cuidar daquilo que é de muitos. Um prazer em comum. Eu fui longe nos pensamentos… Imaginei uma campanha eleitoral completamente diferente e desamarrada dos partidos, o que permitiria uma gestão que teria uma compromisso verdadeiro com a cidade! Nenhuma secretaria entregue às legendas! Sabia que nenhum outro poderia ser capaz disso! E isso me moveu demais.

Não passamos de minhocas, mas acredito ser uma minhoca que brilha. Winston Churchill

H – Com a mudança do prazo de filiação de dois de outubro de 2015 para dois de abril de 2016, ganhamos tempo. Sobrou espaço para eu arejar minhas ideias em viagens por lugares que gosto muito. Foi possível até conversar com o bom e velho Winston Churchill na antiga capital britânica pra confirmar minhas estratégias. No fim de março, era hora de partir para a ação. Organizou-se a atividade de filiação dele no PHS. Na sede da legenda? Não foi. Aliás, Alexandre Kalil realmente nunca foi ao partido e tem o mesmo apreço pelo sistema partidário que eu. Sua filiação foi mero ato protocolar para garantir a condição de elegibilidade. Preciso revelar nessa história um outro personagem fundamental: Paulo Vasconcelos. Por um pedido de Andrea Neves, eu e ele estivemos juntos em 2015 e apresentei a ele a ideia de lançar a candidatura de Alexandre Kalil para prefeito. De antemão, o convidei para ser o responsável pelo marketing: seu nome é um carimbo de qualidade em muitas das campanhas exitosas que presenciei. Todavia, um contrato com a empresa Souza Cruz o impedia de aceitar. No entanto, ele nunca deixou de compartilhar comigo algumas ideias… Gostou da minha ousadia. É um grande amigo! E começou a me ajudar no meu plano. Após a filiação do candidato, ele se reuniu conosco duas vezes. Uma na sede da Erkal e outra na sede da Vitória. Perguntamos a ele qual seria o próximo passo, afinal aptos a ser candidatos, eu e Alexandre Kalil estávamos…

ISurgiu o nome de Augusto Fonseca para responsável pelo marketing como sugestão de Paulo Vasconcelos. Para se ter ideia, trata-se de um jornalista que possui no currículo o prêmio Esso de 1992, por ter revelado a testemunha chave do escândalo que culminou no impeachment de Fernando Collor. Eu e Alexandre Kalil gostamos de Augusto Fonseca desde o início: competente, firme e sincero, como gostamos que as pessoas sejam. Com a presença dele, partimos para fazer o fundamental: um diagnóstico. Conhecido pelos profissionais de marketing como “diamante”, existe um processo fundamental para se eleger qualquer candidato: antecipar as tendências e percepções de uma campanha eleitoral. Explico como funciona. O candidato senta diante das câmeras e começa a responder perguntas livremente por duas horas mais ou menos… Esse vídeo é editado pelo profissional de comunicação para ser submetido ao que se chama “acelerador de partículas”, ou grupos de pesquisas qualitativas. Vou mais a fundo. Antes, vejam o vídeo:

Na sala de Alexandre Kalil cuidando do nosso diamente ainda bruto
Na sala de Alexandre Kalil cuidando do nosso diamante ainda bruto

 

JVou ser franco aqui: o nosso maior receio no início dessa história se resumia em uma coisa: “E como vão se comportar os cruzeirenses?” Com o vídeo editado como se vê acima, foi hora de reunir perfis em grupos que representavam a cidade. Assisti todos os grupos numa sala atrás do espelho falso. O enredo era o mesmo: “Vocês sabem que teremos eleições esse ano?”; “O que vocês acham da atual gestão?”; “O que pensam de Marcio Lacerda?”, “E o que pensam do apoio de Fernando Pimentel?”; “E o que pensam do apoio de Aécio Neves?”, “E o que você do candidato X?”, “E o que você acha do candidato Y?”, “E o que você acha de Alexandre Kalil?” Eu ficava muito surpreso com o que ouvia do Alexadre Kalil das pessoas. Eram muitos elogios. Sobretudo dos cruzeirenses! Fiz questão de chamá-lo para escutar um desses grupos atrás do espelho comigo ,e me lembro de uma cena com um cruzeirense que se dizia “chato”. O rapaz disse: “Eu odeio o Clube Atlético Mineiro. Eu tenho pavor do Alexandre Kalil. Eu tenho ódio sincero dos atleticanos…” Pausa. “Agora, se ele for candidato, eu voto. Eu não aguento mais os políticos.” Isso se repetiu muitas vezes. E, por fim, era perguntado aos grupos que qualidades eles queriam ver num prefeito. Após enumeradas, tais qualidades deveriam ser conectadas a um candidato apresentado. Alexandre Kalil era citado como o candidato que o eleitor gostaria de ver eleito naquela sala escura. E, dessa forma, todos notamos que sua candidatura era mesmo viável. Não estávamos mais testando nada. Agora, era hora de por mãos a obra e eleger um prefeito. Como de costume, eu ousei: “Pode se preparar. Estaremos no segundo turno contra João Leite. E eu já sei o que faremos.”

KFoi então que a ficha caiu. Eu, com 30 anos de idade, estava diante do desafio de coordenar uma campanha de prefeito na cidade onde vivo. Mais do que isso: já estava decidido a ser candidato a vereador num plano próprio e que em nada se misturou com o novo plano. Ainda, tinha acabado de ser convidado para ser Head of Institucional Affairs & Public Police da Jusbrasil. E também não pretendia abandonar a sala de aula. E estava encaminhando um namoro… Diria Tancredo Neves que, para descansar, temos a eternidade. Como eu gosto de dizer: carga! Ainda escreverei outro texto com mais calma para narrar os bastidores da minha eleição, mas posso adiantar foi muito legal ter sido candidato a vereador. O que aconteceu nesse domingo foi narrado por mim em Salvador na sede da Jusbrasil quando expliquei aos meus colegas de empresa por que razão precisaria de um apoio deles na ausência por dois meses. Disse a eles que venceriamos e disse a eles como. A principal forma de vencer uma eleição é formar uma boa equipe! Aprendi isso com Andrea Neves. Todavia, não basta formar uma boa equipe. É preciso respeitar a competência dessa equipe. Augusto Fonseca já estava a bordo e teve a liberdade de somar a ele uma equipe de redação, criação e produção. O primeiro convite que fiz foi ao Alberto Lage, um gênio de 22 anos que coordenou a campanha na internet. A verdade é que no cenário atual, a TV e a internet se misturam muito. Esse jovem é o que chamo de “fiel escudeiro”. Um menino leal, brilhante e extremamente dedicado. Depois, convidei a empresa Távola, dos meus amigos Álvaro Fraga, Carlos Moreira e Ricardo Campos, para cuidar do conteúdo, da assessoria de imprensa e do banco de dados da eleição. O trio é uma família para mim. Aliás, muito do que sei devo a eles. Ainda, houve uma pena de ouro que somou: Walter Navarro, meulouco favorito de Barbacena, um canalha entre os canalhas, um gênio entre os gênios… Sabendo que essa eleição teria uma disputa jurídica extrema, confiei esse front às amigas e professoras Patrícia Henriques e Virgínia Afonso. Ao longo desses dias, a dupla se desdobrou em qualidade profissional: vitória atrás de vitória. Não existe uma boa campanha sem um bom plano de governo. Convidei o responsável pelo plano de governo de Antonio Anastasia, o professor Cláudio Beato. O documento está disponível online. O trabalho foi exitôso. Não existe nenhum projeto de Alexandre Kalil que não conte com a presença de Adriana Branco, com quem aprendi tudo e mais um pouco. Diante do desafio de ser nossa “primeira-ministra” alvinegra na gestão de Daniel Nepomuceno, assim como eu, teve que se multiplicar para coordenar o comitê central, as agendas, os eventos de rua e a produção do material, a tesouraria… Ela é um trator! Aliás, eu e ela somos formados numa mesma escola chamada Nely Rosa, amiga querida. Queria ainda acrescentar Amira Hissa, Stênio Lima e Sônia Mineiro, um trio que fez a assessoria de imprensa e a fotografia carregando um mundo nas costas com um candidato nada convencial! Aliás, os três mosqueteiros não tiravam o sirriso bonito do rosto enquanto o furuto prefeito mantinha seu perfil de rabugento (de coração mole)! Rafael Dayrell, o coordenador da minha campanha, acabou sendo meu braço direito em dois flancos… Sobretudo, ele falava o tempo inteiro: “vamos lembrar que o senhor é candidato também!” E se desesperava quando eu tinha que abrir mão de algo na minha campanha para se dedicar a campanha do Alexandre Kalil.

O time de gigantes
O time de gigantes

LCom as tropas reunidas, havia chegado a hora de produzir a mensagem da campanha, suas imagens e os primeiros eventos. O mais engraçado é que ainda nesse momento havia muita gente que duvidava que Alexandre Kalil seria candidato de verdade. Continuavam rindo… A convencão foi um evento importante para deixar claro que não estavamos de brincadeira. E, de uma forma bem pensada, não ligavamos também tanto para isso. Imagina se todos já soubessem do potencial dele desde o início? Haja couro…

A convenção partidária onde virei candidato a vereador e Alexandre Kalil virou canddiato a prefeito
A convenção partidária onde virei candidato a vereador e Alexandre Kalil virou candidato a prefeito

A sorte não existe. Aquilo a que chamas sorte é o cuidado com os pormenores.Winston Churchill

MAs negociacões partidárias visavam tempo de televisão. E foram feitas para valer apenas na reta final antes do registro das candidaturas. Vanessa Portugal, do PSTU, e Maria da Consolação, do PSOL, eram portadoras de segundos. O PT e o PCdoB se ajeitaram para Reginaldo Lopes. O PMDB se uniu ao PSC e ao PTN para Rodrigo Pacheco. O PROS estava sozinho na campanha de Eros Biondini… A REDE estava sozinha com Paulo Lamac… O PDT se uniu ao PTB para eleger Sargento Rodrigues. O PTdoB de Luís Tibé  somou PRP, PEN, PTC, PSL e PPL. Marcelo Alvaro Antonio reuniu PR, PSDC e PMB. O bicho pegava mesmo era entre Paulo Brant, do PSB, João Leito, do PSDB, e Alexandre Kalil, do PHS. O que queria Aécio Neves? Arrancar todos os partidos e sufocar Marcio Lacerda para que ele ficasse sem tempo de televisão. Conseguiu… O prefeito ficou tão preocupado com a questão, que abriu mão de Paulo Brant mas, de birra, seguiu na disputa com Délio Malheiros, do PSD, o seu vice-prefeito que ele nunca quis que fosse candidato. Como o PSDB tinha um tempo enrome de televisão no primeiro turno, insisti que fosse nos cedida a coligação com o PP… Isso daria mais tempo de televisão no primeiro turno. Negaram. E ofereceram o PRB como possibilidade de coligação com um detalhe: necessariamente a coligação teria que envolver a chapa proporcional. Em resumo, os tucanos colocaram a minha cabeça a prêmio, coligando o PRB com o PHS, só para tirar o tempo de televisão do Marcio Lacerda. Esperado… House of Cards é fichinha perto do enredo municipal. O PV se aliou ao PHS prontamente por via dos deputados estaduais Agostinho Patrus e Mario Henrique Caixa. Estavamos isolados, com 15 segundos de televisão e restavam duas opções reais: se coligar com o PROS, tendo Eros Biondini como vice, ou se coligar com a REDE, tendo Paulo Lamac como vice. Eu tentei muito convencer o primeiro por conta da nossa relação na Secretaria de Estado de Esportes e Juventude. Ele não topou. Já Paulo Lamac topou! Eu sabia naquele momento que, por conta dele ter sido filiado ao PT, teríamos aberto um flanco complexo para o segundo turno. Era previsível que meus ex-correligionários iram apostar na polarização, mas eu também guardei uma ideia como antidoto para isso. A conversa com Paulo Lamac foi sincera: ele fez três pedidos e eu estava na mesa. Queria um compromisso com a sustentabilidade, com o desenvolvimento do setor de startups e gostaria que a REDE desse o tom na parte de meio ambiente no plano de governo. Acordo feito. E eu acrescentei: “Aqui, o meu passado tucano fica no passado. O seu passado petista também. Ninguém pode pagar para sempre pelos pecados que cometeu.” Aliás, o fato de eu ter sido tucano e do Paulo ter sido petista sempre foi motivo de muita piada com o Alexandre Kalil, que fazia xistes com as caricaturas das duas legendas. O fato concreto é que a independência da chapa estava assegurada e que estavamos prontos para a campanha começar com 23 segundos de tempo de televisão, mas com participação nos debates garantidas pela coligacão PHS, PV e REDE.

Enquanto Paulo Lamac não chegava, a brincadeira de uma chapa pura independente...
Enquanto Paulo Lamac não chegava, a brincadeira de uma chapa pura independente…

N – Na foto acima, o candidato e o vice. Por um tempo era brincadeira e depois começaram a falar isso sério. A chapa de vereadores via com bons olhos! Risos. Pensavam que uma cadeira ia ser liberada. A verdade é que refutei isso desde o começo. Tenho, assim digamos, vários atributos que se espera de um político. Faltava um: voto. E faltavam votos meus! Não dos outros… 10.185 votos me deixaram bem satisfeito com a minha decisão. A foto oficial foi feita. Os primeiros vídeos gravados. A máquina engrenou. Todavia, não foi um percurso fácil. O principal problema? A arrecadação de campanha. Tentei a função de arrecadador de fundos com dois amigos. Ambos tiveram muitos empecilhos nessa atividade. A verdade é que ninguem, sobretudo depois dos últimos escândalos, quis se comprometer com a política. Do dia 16 de agosto de 2016 até o dia 2 de outubro de 2016, vivemos 45 dias com muita dificuldade. Além das agendas e das gravações, Alexandre Kalil teve que, ele mesmo, se tornar o responsável pela sua arrecadação. Somado aos esforços dos próprios amigos, diante da dificuldade de recursos, ele próprio topou abrir mão de um imóvel para auxiliar nos recursos como permite a lei. Ainda assim, a previsão de arrecadacão ia encontrando na realidade um desafio enorme para o planejamento da campanha…

0O primeiro turno correu bem. Posso resumir num pensamento: com 45 dias e pouco tempo de televisão, quem é conhecido pela população tem enorme vantagem. O candidato começou a sugerir sacadas geniais. A visita a uma UPA, o lema de se fazer a cidade funcionar, agendas diferentes de tudo que já se fez. Muito diferente de um político padrão, odiava quando os fotografos pediam poses ou quando grudavam um adesivo no peito dele. Os desavisados ouviam… O mote “chega de político” foi ideia do Augusto Fonseca! Pensem se eu gostei? Como assim “chega de político”? Eu sou político! “Não.” – ele me respondeu. Você é um professor, um advogado, um jornalista, um cidadão que pensa e vive a cidade… “Se você fosse um “político” apenas, eu acho que você não teria a menor chance de se tornar vereador.” Fui convencido na hora. Era um belo lema de campanha. Refletia um 2013 que ainda não acabou… Os outros políticos não gostaram, mas foi minha função dar ao responsável pelo marketing capacidade de levar adiante a sua estratégia.

Alexandre Kalil no lançamento da minha campanha de verador
Alexandre Kalil no lançamento da minha campanha de vereador

P Os 45 dias passaram voando. Na minha cabeça, contando com o diagnóstico, era tão claro que Alexandre Kalil estaria no segundo tuno com João Leite que já fomos preparando o segundo turno. Eu não fazia tantas agendas com o candidato e nem postava tantas fotos com ele por dois motivos: não queria gerar desconforto na chapa de vereadores do PHS, que poderia se sentir prejudicada, e porque eu não queria ninguém me acusando de me beneficiar da candidatura majoritária. Eu sempre disse que os meus votos seriam meus e pelo meu esforço sem me aproveitar de uma campanha maior. A grande verdade é que ser candidato e coordenar uma campanha ao mesmo tempo me prejudicou bastante! Eu não consegui cumprir todas as agendas e surgiam problemas a todo momento que eu precisava resolver. Ainda que vários candidatos tenham se unido para prejudicar Alexandre Kalil no primeiro turno, não funcionou. Estive com ele nas preparações de todos os debates e nos intervalos comerciais ia até ele para fazer algumas considerações. A verdade é que alguém que já foi vigiado por uma “torcida chata” como a nossa, não ia ficar melidrado com um Luís TIbé. Aliás, Luís Tibé saiu menor do que entrou na eleição.  Sargento Rodrigues saiu menor do que entrou na eleição. Délio Malheiros saiu menor do que entrou na eleição. Rodrigo Pacheco saiu menor do que entrou na eleição. O papel deles em atacar Alexandre Kalil de forma desesperada na reta final do primeiro turno foi muito ruim. Para eles.

Fazendo milagre com 23 segundos ao lado de Alexandre Kalil e Augusto Fonseca
Fazendo milagre com 23 segundos ao lado de Alexandre Kalil e Augusto Fonseca

Q – Quando o segundo turno se avizinhava, Andrea Neves me ligou. Chamou-me para uma conversa. Informei Alexandre Kalil e proseamos. Ela estava com viagem marcada para o exterior no dia seguinte e queria reafirmar termos de boa política para o segundo turno. Claro! Eu gosto dela. Imagina se eu gostaria de levar a campanha para a baixaria… Jamais.

“Melhor lutar por algo, do que viver para nada.” Winston Churchill

R – No primeiro dia do segundo turno, após a confirmação do que eu já esperava, houve uma foto que me espantou muito. Quando vi meu estimado amigo professor Antonio Anastasia de mão dada com Antonio Andrade, vice-governador de Fernando Pimentel, Leonardo Quintão, deputado federal, e outras figuras do PMDB, além da decepção, eu pensei: UFA! Como é que eu explicaria para as pessoas aquilo? Não foi a primeira vez que critiquei ou disse sentir nojo do PMDB. Nossa… Fiz questão de postar no Facebook. Um ou outro fica melindrado com a verdade. Todavia, o fato é que ninguém que tem apreço pelo senador Antonio Anastasia gosta de ver ele submetido a essas situações. Eu tenho certeza que ele não queria estar nessa mesa. Eu tenho certeza absoluta disso e o perdoo por esse momento. Só ele. Os tucanos perderam mesmo o rumo! Além de se aliar com Michel Temer, vice-presidente de uma chapa que o próprio PSDB contesta no TSE, o partido parece ter se esquecido das suas origens: surgiu justamente se separando das piores práticas do PMDB. Uma regressão! Essa foto ficará na história como uma das alianças mais tristes da política mineira. Não deixei barato e gravei um comercial para a TV com minha voz…

De embrulhar o estômago
De embrulhar o estômago

 

SO primeiro bom movimento do segundo turno foi ganhar tempo! Um acordo com a equipe do João Leite reduziu o tempo e quantidade dos programas de televisão. Eu tinha um motivo especial: a grana encurtou! Tivemos de dispensar a produtora, tivemos de dispensar parcela significativa da equipe, e Augusto Fonseca acabou retornando a São Paulo onde vive. Sim… Eu tive que enfrentar esse rojão. Sem produtora, sem equipe de redação, sem muita coisa, reunimos um mínimo possível com algum material já no estoque para fazer os programas eleitorais. Onde foi gravado? Na sala de estar de Alexandre Kalil. Onde foi editado? Numa sala quente e sem ar condicionado. Que sofrimento! Isso por que eu tive que ir a Viçosa, a Salvador e a Brasilia. Isso porque eu seguia dando aulas. Isso porque minha namorada resistiu a esse tempo todo. Isso por que ainda tinha mil coisas a serem feitas na campanha. Isso por que as articulações com os vereadores eleitos já havia começado… Tudo isso valeu a pena para não contratar gastos de campanha acima do que se pode e depois vender a alma colocando tudo a perder. Aqui não! Foi na raça! E deu certo. E deu certo sobretudo pelo acrescimo de gente fundamental como Victor Colares, um canivete suíco da melhor qualidade, e Marcelle Melasso, uma grande profissional que também é uma grande amiga. Além disso, cito a “Cavalaria de Betim” que chegou para se agregar às tropas!

TA estratégia do segundo turno consistia numa guerra com duas batalhas e cinco combates. As duas batalhas são os dois finais de semana antes das eleições, quando as pessoas ficam diante da televisão por muito tempo. Os cinco combates são os debates. No primeiro turno, os comerciais não tiveram muita importância com as novas regras eleitorais… Agora, no segundo turno, com programas todos os dias e setenta e cinco inserções, a televisão é fundamental. Com apoio da internet, claro! E das trincheiras terríveis dos grupos de WhatsApp. Eu sabia que a primeira coisa que tentariam fazer seria grudar o PT no Alexandre Kalil. Eles sabem que isso é uma mentira, mas não estavam equivocados em tentar fazer de Belo Horizonte mais uma disputa padrão entre PSDB e PT, nessa fase em que o PT anda tão merecidamente destruído. Só que aqui há memória. E decidi usar o passado para responder o presente… Afinal de contas, quem mesmo é que já se aliou ao PT? E várias inserções de televisão sobre Aécio Neves e Fernando Pimentel foram preparadas para o primeiro fim de semana de televisão com as propagandas de 2008. Pouca gente sabe, mas os comerciais que vão ao ar no fim de semana precisam ser enviados até sexta-feira e só podem ser trocados na segunda-feira. Isso lhe da uma travamento na estratégia. Foi a primeira carga! E anulamos a tentativa de grudar o PT no Alexandre Kalil.

UA verdade é que o PSDB não estava preparado para outro tipo de disputa. Realmente imaginaram que levariam o segundo turno chamando Alexandre Kalil de petista… Agora, imaginem! Ele odeia o PT o mesmo tanto que eu! E agora ele tomou a mesma birra do PSDB que eu ja tinha criado… Risos. E do PMDB. Viva a independência. E com essa estratégia somada ao primeiro debate do segundo turno na BAND, onde Alexandre Kalil se saiu muito bem, a campanha de João Leite perdeu o rumo. Perdeu o rumo mesmo… A indecisão do que fazer nos permitiu uma onda que culminou na virada nas pesquisas… E quando você vira no segundo turno é dificil desvirar.  Além de tudo, surgiram aloprados tucanos bolando ataques, sujeiras pela cidade, ações desastrosas na internet… Um caos. A penúltima semana da eleicão foi muito boa até aquele debate da Rede TV.

VO pior dia do segundo turno foi o debate da Rede TV. Aquilo marcou a baixaria da semana final! Eu fiquei terrivelmente mal com o programa. Alexandre Kalil também se abalou. Estávamos diante de um João Leite que ninguém conhecia. Foi horroroso! Todo meu cuidado nas preparações de deabte era insistir que o tom deveria ser propositivo e ameno! Foi tudo por água abaixo. João Leite, com a ajuda de algumas pessoas que eu conheco muito bem no PSDB, foram garimpar alguns dos 142 funcionários que possuem processos trabalhistas contra alguma empresa de Alexandre Kalil. Diga-se 142 processos entre 150.000 funcionários que já passaram por tais empresas. 0,09%. Eu, da platéia, estava agoniado com o bate-boca. Na hora da discussão em que Alexandre Kalil soltou o “roubo, mas não peço propina” eu engoli a seco como um general que viu um dos seus flancos completamente descoberto ante a bateria de artilharia alheia… Não bastou! Diante das acusações falsas de João Leite (dívidas com valores multiplicados por cem, maus tratos com funcionários, acusações de roubar pessoas humildes, gerir mal o Clube Atlético Mineiro e maltratar jogadores), Alexandre Kalil soltou a maldita Lista de Furnas. Pensei comigo: não acredito. Eu já tinha dito que considerava a lista falsa. Há um vídeo meu na internet, cujo roteiro foi escrito por mim e por Andrea Neves, com toda documentação fornecida por ela. Eu sabia que isso seria péssimo. Estávamos indo numa direção nada recomendável. Fui questionado pela imprensa e reafirmei o que pensava. Tudo que podia fazer era pedir para Alexandre Kalil não voltar no assunto, embora o escândalo tenha sido ressuscitado pela operação Lava-Jato. Sigo acreditando que a documentação é falsa até poque ninguém coloca num papel timbrado a lista de quem vai receber propina. Todavia, de acordo com Gilmar Mendes, a estatal foi sim alvo da ação de pessoas mau intencionadas, o que é lamentável. O que foi pior nisso tudo é que, mesmo com o trato que fiz com Andrea Neves de que não nos atacaríamos mesmo com acirramento dos ânimos na disputa, a campanha do PSDB usou o vídeo que gravamos e minha imagem para constranger o meu candidato. Olha que eu sabia tanto sobre o que o PSDB pensava na verdade sobre o João Leite e nunca usei. Guardo para mim que eu cumpri o que combinei mais uma vez.

XDepois daquilo, restavam três debates e uma semana de televisão. Algo precisava ser feito. Resistir sobretudo! Os tucanos não iam perder essa eleição sem lutar. E eu sabia que dois novos flancos seriam utilizados. Era preciso reduzir os danos e frear os adversários em flancos já abertos. Ainda na segunda-feira, tivemos acesso ao vídeo do “Seu Geraldo”, tranquilo, ali no balcão de bar, contando que o PSDB o procurou. Isso tinha que ser utilizado. Aliás, uma das maiores mentiras contadas pelo PSDB foi aquela que o tenta configurar como um mão patrão. Essa cara é um paizão. Pode ficar bravo, xingar ou ate ser mais ríspido, mas possui um coração gigante e trata quem trabalha com ele com profundo respeito. Isso precisava ser rebatido. E a questão do IPTU precisava deixar de ser um problema. Na terça-feira, foram ao ar os comerciais questionando “Seu Geraldo” e ele anunciou o pagamento do IPTU no MGTV. Isso começava a resolver uma tendência de queda que começamos a notar. Foi quando surgiu “Dona Adriana”… Era a mesma estratégia com outra roupagem. Ver o PSDB dando uma de defensor dos direitos trabalhistas dos funcionários do Alexandre Kalil foi patético. Tudo devidamente presente na justiça e aquele alarde todo. Preparamos a estratégia para responder a questão de “Dona Adriana” na quarta-feira com um live no facebook. A moça pedia direitos trabalhistas aos quais não tinha direito. Ou seja, além de mentir, a campanha do João Leite expôs a mulher de um jeito constrangedor. Essa ideia de usar os trabalhadores, além do tom completamente exagerado dos ataques, começou a surtir um efeito negativo para o PSDB e demostrou seu esgotamento naquele dia. Contudo, as pesquisas mediam tendências tardias e foram apresentadas na quinta-feira com o estreitamento da margem entre os dois. Claro que isso deixou todos apreensivos, mas foi possível recuperar a calma ao notar que a estratégia deles tinha chegado num limite e que o tempo não permitira grandes manobras. Na semana final, as batalhas jurídicas se intensificaram, e nossas advogadas viram dezenas de advogados serem contratados pelo outro lado pra entupir nosso time de processos jurídicos. O debate da Record e do SBT tinham ficado para trás. Os programas finais foram gravados. Agora, restava o debate da Globo, a militância na rua e a internet. Vale dizer que Augusto Fonseca conseguiu retornar para Belo Horizonte na última semana e foi de grande valia para esse almirante de primeira viagem.

WPreciso destacar três pessoas que para mim simbolizaram a parte de militância dessa eleição: Guilherme Papagaio, Wellington Aguilar e Raphael Domingos, que ficavam no comitê central. Conhecendo a cidade como ninguém, criaram uma estratégia de rua eficiente, com Adriana Branco somando agendas e ações que fizeram toda diferença. A articulação política passou a contar com o deputado federal Marcelo Alvaro Antônio, único candidato do primeiro turno que declarou apoio no segundo turno, e com o deputado estadual Iran Barbosa (sem o PMDB evidentemente porque não tenho estômago) para auxiliar nas campanhas de rua. Colocar gente distribuindo adesivo em época de descrença política não é fácil. Vários vereadores eleitos também se somaram ao time e foram fundamentais na reta final. Nos dois dias que faltaram, passamos a sexta-feira nos preparando para o debate da Globo. Na minhão opinião, Alexandre Kalil fez ali sua melhor participação entre os dez debates televisionados. Ele precisava de duas coisas: manter seus eleitores e convencer indecisos. Conseguiu com louvor. Todas as medições mostravam que seus eleitores declarados estavam satisfeitos e que os indecisos numa maioria absoluta tinham optado por ele. E, para variar, João Leite tinha ido muito mal.

Nos bastidores do ringue final, os preparadores
Nos bastidores do ringue final, os preparadores

YO desespero se instaurou no comitê adversário… A capa da revista ISTOÉ foi uma das coisas mais dantescas que eu já vi na minha vida. Nunca, na história das eleições brasileiras, uma revista semanal foi publicada com uma capa diferente para apenas uma capital. E pior: a mesma capa já estava circulando pelo WhatsApp desde de manhã! Ainda, o grande jornal dos mineiros já estava com uma publicidade da mesma capa pronta para ser publicada no sábado! E para completar… Vários cartazes com a capa foram espalhados (e rapidamente arrancados) pelas ruas da cidade na madrugada. Foi triste para a imprensa ou quem se acha imprensa. Sem falar no instituto Veritá, que deu a vitória para Aécio Neves e Pimenta da Veiga em 2014. A verdade é que as pesquisas já mostravam a reversão de queda de Alexandre Kalil e aumento da distância entre os dois novamente. Nada poderia ser feito no sábado… Nada poderia ser feito no domingo. A sorte havia sido lançada.

Z – A vitória, não posso negar, é muito boa. Todavia, não é reconfortante. Imaginem a responsabilidade que se inicia agora! Em primeiro lugar, sou um cidadão e quero o melhor para minha cidade. Em segundo lugar, eu sou um vereador eleito com 10.185 votos e tenho compromissos firmados com eles, além de 31 propostas. Acreditem: será mais fácil cumpri-las com a vitória de Alexandre Kalil. O aplicativo que direciona meu voto a partir da vontade dos eleitores será mantido e não há prefeito eleito que retire de mim a minha independência. Não serei secretário municipal em nenhuma hipótese. Não serei candidato a nada em 2018… Quero e vou cumprir as 31 ideias que publiquei. Agora, fico imaginando se João Leite ganhasse.  A primeira consequência natural seria a reeleição de Wellington Magalhães para a Presidência da Câmara Municipal. Só isso por isso seria motivo suficiente para eu digitar 31 e fazer uma campanha forte para Alexandre Kalil. Esse senhor não merece estar naquela cadeira e meus eleitores concordam com isso. João Leite se apequenou se aliando a ele. A segunda consequência natural seria o aparelhamento completo dessa cidade visando 2018. O PSDB que me desculpe, mas a natureza dos chefes partidários das legendas aliadas eu conheço bem. E isso, meus caros eleitores, é o que faz essa cidade não funcionar de jeito nenhum! E vou combater isso com todas as minhas forças. A terceira consequência seria a continuação da perseguição que sofro por criaturas lamentáveis do PSDB. Sim… Isso vai continuar! Todavia, com eles tendo que se manter na iniciativa privada ou em algum gabinete de parlamentar ou no interior. Na prefeitura, de jeito nenhum! É hora de guardar essa eleição como uma lembrança e tanto. É hora também de começar a planejar o futuro. Tenho um Centro de Referência da Juventude para colocar nos eixos finalmente (com uma placa que vai voltar para onde nunca deveria ter saído). Tenho bairros precisando de boa gestão. Temos uma nova fase política para instaurar no país. Temos muito o que fazer. Esse é mais uma passo de uma longa caminhada. Obrigado, Belo Horizonte. Sou responsável pelos meus atos e sobretudo ciente que não posso permitir essa cidade se arrepender da escolha que fez. Alexandre Kalil, meu amigo, não nos decepcione. É o seu nome em jogo. E o meu também. Vamos em frente.